o sol de cada manhã
dave spritz (nicolas cage) não é meteorologista, mas também não é jornalista. ou melhor, é formado em comunicações, seja lá o que isso quer dizer. na verdade, ele é o "homem do tempo" de um canal regional - acho que seria algo como a nossa rbs.
a chance de trabalhar em uma rede nacional lhe parece a oportunidade de mudar de vida e começar de novo. o que ele não percebe é que seus problemas não podem ser resolvidos com um emprego melhor. o filho adolescente anda metido com drogas, a filha de uns 10, 12 anos é gorducha, tem pata de camelo e fuma, a ex-mulher já tem um novo amor e não quer mais saber dele. o pai, representado pelo ótimo michael caine, é seu exemplo de vida e alguém que ele gostaria muito de deixar orgulhoso. mas está morrendo.
dave passa o filme inteiro meio apático, tentando fugir da vida que ele mesmo construiu, mas sem saber como. e o filme pode até parecer monótono e parado, já que não acontece muita coisa. é meio parado mesmo. mas tem cenas bem engraçadas e outras muito bonitas. de verdade.
o sol de cada manhã é meio beleza americana, meio cão sem dono, meio encontros e desencontros. me parece que tem semelhanças com cada um desses filmes, guardadas as particularidades, claro.
assim como o lester (kevin spacey) de beleza americana, dave prova do vazio do sonho americano. uma boa casa, um bom emprego, filhos saudáveis, mulheres de sobra, mas falta alguma coisa, sabe? assim como ciro (júlio andrade) de cão sem dono, dave é meio conformado com a vida e não faz muito para que as coisas mudem. assim como charlotte (scarlett johansson) de encontros e desencontros, ele vê a vida passar e se sente meio perdido em um mundo que ele não entende bem como funciona. como disse, em o sol de cada manhã pode parecer mesmo que nada esteja acontecendo - na verdade esse "nada" é tudo - e essa é outra semelhança com encontros e desencontros.
o final não é feliz, não é triste. é apático, conformista e perdido como todo o filme e, como disse o namorado, é pra pensar. gostei muito de o sol de cada manhã, sim. todos nós somos um pouco dave spritz. a gente só disfarça pra não parecer tão looser.
e uma coisa me deixou intrigada: como pode o mesmo diretor - no caso, gore verbinski - dirigir filmes tão diferentes como o sol de cada manhã e piratas do caribe? é, acho que isso é hollywood. agora uma coisa é certa: ele é muito melhor no primeiro.

Da sinopse na capa do DVD: “Com um pouco de Beleza Americana e um pouco de Confissões de Schmidt, este filme mostra uma visão íntima do que é ter uma vida significativa, no mundo do fast-food.”
Não tenho certeza se entendi.
Comment by fernando — August 22, 2007 @ 5:53 pm
juro que não li a capa do dvd!
ainda não vi confissões de schmidt. deve ser bom.
Comment by marina — August 22, 2007 @ 5:59 pm