hotel ruanda

October 7, 2007

 

não sei vocês, mas de 94 eu só lembro do plano real, da copa e da morte do senna. naquela época, eu ainda não era megalomaníaca e não me interessava por política internacional. não lembro, portanto, nem de ouvir falar sobre ruanda - se é que alguém falou.

o fato é que a tragédia que se abateu sobre o país africano naquele ano não deve ter sido mesmo muito comentada no jornal nacional, assim como darfur não está sendo agora. portanto, quando o fernando chegou aqui com hotel ruanda, até gostei da escolha dele, mas não sabia nada de hutus, tutsis e por aí vai.

o filme é bem didático, explica direitinho o que aconteceu para os desentendidos e desavisados como eu. como história, vale a pena com certeza. não que não valha como cinema. também vale. mas é que fiquei meio decepcionada ao assistir a uma entrevista com o roteirista nos extras.

acontece que a idéia do filme foi justamente do roteirista - que é óbvio que não sei o nome. ele tinha um roteiro que contava, acima de tudo, a história de paul rusesabagina, o cara que salvou milhares de pessoas durante a guerra civil abrigando-as no hotel em que era gerente. mas tinha também várias outras histórias paralelas que envoloviam os outros personagens. "era uma coisa meio traffic", segundo o cara.

mas, na busca por alguém que dirigisse o seu filme, ele teve que fazer algumas concessões. e uma delas foi justamente mudar o roteiro. de uma coisa traffic, hotel ruanda passou a uma história de amor acima de tudo. parece brega, né?! e é um pouco, sim. é bonito, é emocionante, mas às vezes parece meio forçado. eu, que não vi traffic mas sei que vou gostar,  tive a impressão de que hotel ruanda poderia ter sido muito mais.

mas com certeza vale as três indicações para o oscar - melhor ator (don cheadle), melhor atriz coadjuvante (sophie okonedo) e melhor roteiro original (imagina se não tivesse sido modificado!).

e pra finalizar uma da série brincadeira numa hora dessas: o don cheadle tava tão, digamos, BEM no papel que me decepcionei ao ver o paul de verdade, que, na realidade, é um gordinho baixinho. 

primo basílio

September 18, 2007

 

pode ter certeza: é só colocar no google (não precisa link, né?) "primo basílio" que vai aparecer um monte de críticas negativas ao filme, em meio a resumos do livro de eça de queirós, é claro.

o fato é que toda essa gente que acha que entende de cinema (sim, exatamente como eu) só é capaz de dizer coisas óbvias como "o filme parece uma novela, é cheio de elementos vindos da televisão" e blablablabla. ora, primo basílio é produzido pela globo filmes, dirigido pelo daniel filho e estrelado por um elenco exclusivamente global. queriam o quê? que fosse um típico exemplar do cinema francês? ou que, por acaso, se assemelhasse ao péssimo árido movie?

vamos falar sério. primo basílio é um bom filme e cumpre o seu papel. pode até ser que os closes, a trilha sonora e sei lá eu mais o que sejam um pouco exagerados, mas eu não entendo muito disso mesmo. tá, e agora vamos parar por aqui, porque daqui a pouco tô falando mal do cinema brasileiro e não tem coisa mais chata e clichê do que isso. parô.

essa versão da história do eça de queirós pulou algumas décadas, passando do final do século XIX para o empolgante ano de 1958 - o brasil ganhou a copa, brasília começava a sair do papel, essas coisas… mas o enredo, pelo que li por aí, permanece quase o mesmo, apenas com adaptações para os anos 50.

eu, que não li o livro do eça, achei a história bem legal. e bem melodramática, também. vejam bem, isso não é uma crítica. eu gosto de melodramas! gostei de ficar imaginando como seria o final, apesar de tê-lo adivinhado um pouquinho antes do que gostaria. mas tá, não vou ficar explicando tintim por tintim da sinopse do filme, porque tem no google, vocês sabem.

primo basílio tem ainda ótimas atuações da debora falabella e da glória pires, que tá feia-feia-feia. os lindinhos reynaldo gianecchini e fábio assunção são … lindinhos. tá, falando sério, eles são bons atores também. mas elas conevencem mais.

eu recomendo o filme, sim. recomendo, principalmente, ignorar esse papo de que parece novela. tenho certeza que deve ser beeeeem melhor do que se eu fosse você, também do daniel filho. mas sabe como é, quando é comédia escrachada é porque é comédia escrachada, quando é melodrama é porque é melodrama… que gente chata. 

Encontrei Milton Santos

September 13, 2007

Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá é uma boa idéia. Milton Santos (1926-2001) é um dos maiores dos estudiosos brasileiros desconhecidos, o que se explica por sua área ser a Geografia, disciplina mais do que incompreendida. Minha teoria é de que é a matéria mais difícil no vestibular. Bem, o documentário de Silvio Tendler é uma boa idéia porque Milton Santos é incompreensível. À parte sua tentativa megalomaníaca de ampliar o escopo da Geografia, que já é bem amplo, à total metafísica, seu texto é hermético, acadêmico e chato, bem brasileiro mesmo. Fui ver, portanto, o filme pra ver se entendia o homem de vez.

detalhe na camisa

Não sei se entendi. Encontro com Milton… começa mal porque tem narração de atores famosos e cults, como Matheus Nachtergaele e outros. É um panfleto - esquerdista - e se há algum conteúdo na obra do negão, foi tornado raso. O que se via na tela era um manifesto antiglobalização, mal-feito e, principalmente, feio. Esteticamente, sabe. Não vou nem entrar no mérito da estampa da camisa com que o nome do filme se apresenta. Parece que pegaram as idéias mais clichês do homem e puseram, por cima, um apanhado de imagens de tumultos, protestos, diretores de órgãos internacionais em momentos constrangedores, é muita simplicidade estética.

Concordo com muito do que vi no filme, no sentido de aceitar que: a globalização não precisa ser nos moldes que nos ditam de fora. Que a desigualdade cresce com o ritmo da produção de riqueza. Mas também concordo com um ponto que foi pouco enfatizado - nunca antes se teve tão à mão os meios para a inserção dos OUTROS no sistema. Não sei se MS chegaria a dizer tal coisa, mas, meus caros, a técnica, que é o símbolo da atual fase da globalização, não é ideológica, os homens é que são (apesar de admitir que ela pode ser até certo ponto). Por isso, nunca antes, a tecnologia nos forneceu tantas possibilidades. Basta a nós, que SOMOS os outros, saber agir.

O público também é digno de nota. Na minha sessão só havia gente de meia-idade para cima, com certeza leitores de Eduardo Galeano e José Saramago. Só faltou entrarem na sala com a sacolinha do Fórum. Recomendo apenas para quem se identifica com os indivíduos descritos neste parágrafo.

até,
Fernando

a vida secreta das palavras

August 29, 2007

 

segundo a sinopse, é um filme sobre o relacionamento entre um homem que está temporariamente cego e uma mulher surda. mas a vida secreta das palavras é muito mais do que isso.

hanna (sarah polley) é estranha. metódica, ela certamente tem TOC. quando o chefe lhe obriga a tirar umas férias, ela vai para um povoado à beira-mar, próximo a uma plataforma de petróleo onde havia ocorrido um acidente. meio que por acaso, ela acaba indo trabalhar na plataforma como enfermeira de um homem que tem graves ferimentos em decorrência do acidente. esse é o ponto de partida para um filme que fala, acima de tudo, da solidão e de traumas - e da capacidade de superá-los, enfim.

a vida secreta é bem parado. portanto, se você não gosta de filmes assim, não vá assisti-lo. mas é bem bonito também. as cenas externas da plataforma emocionam. que lugar é aquele? como pode alguém viver naquele lugar por meses e meses? é estranho.

os coadjuvantes também são ótimos, mas a melhor mesmo é sarah polley. quando a vi, sabia que já a "conhecia". depois, descobri que era de estrela solitária, do wim wenders, filme no qual - se não me engano - ela nem teve muito destaque. agora ela é a alma do filme. uma ótima atuação.

enfim, admito que não sei muito bem o que dizer sobre o filme. nem sei se recomendo. é bom, mas é parado, é triste, mas é bom. essas coisas. provavelmente se você gosta de filmes europeus vai gostar desse também, que, apesar de ser falado em inglês, é espanhol. quem é adepto dos blockbusters não deve nem perder tempo.

o sol de cada manhã

August 20, 2007

 

dave spritz (nicolas cage) não é meteorologista, mas também não é jornalista. ou melhor, é formado em comunicações, seja lá o que isso quer dizer. na verdade, ele é o "homem do tempo" de um canal regional - acho que seria algo como a nossa rbs.

a chance de trabalhar em uma rede nacional lhe parece a oportunidade de mudar de vida e começar de novo. o que ele não percebe é que seus problemas não podem ser resolvidos com um emprego melhor. o filho adolescente anda metido com drogas, a filha de uns 10, 12 anos é gorducha, tem pata de camelo e fuma, a ex-mulher já tem um novo amor e não quer mais saber dele. o pai, representado pelo ótimo michael caine, é seu exemplo de vida e alguém que ele gostaria muito de deixar orgulhoso. mas está morrendo.

dave passa o filme inteiro meio apático, tentando fugir da vida que ele mesmo construiu, mas sem saber como. e o filme pode até parecer monótono e parado, já que não acontece muita coisa. é meio parado mesmo. mas tem cenas bem engraçadas e outras muito bonitas. de verdade.

o sol de cada manhã é meio beleza americana, meio cão sem dono, meio encontros e desencontros. me parece que tem semelhanças com cada um desses filmes, guardadas as particularidades, claro.

assim como o lester (kevin spacey) de beleza americana, dave prova do vazio do sonho americano. uma boa casa, um bom emprego, filhos saudáveis, mulheres de sobra, mas falta alguma coisa, sabe? assim como ciro (júlio andrade) de cão sem dono, dave é meio conformado com a vida e não faz muito para que as coisas mudem. assim como charlotte (scarlett johansson) de encontros e desencontros, ele vê a vida passar e se sente meio perdido em um mundo que ele não entende bem como funciona. como disse, em o sol de cada manhã pode parecer mesmo que nada esteja acontecendo - na verdade esse "nada" é tudo - e essa é outra semelhança com encontros e desencontros.

o final não é feliz, não é triste. é apático, conformista e perdido como todo o filme e, como disse o namorado, é pra pensar. gostei muito de o sol de cada manhã, sim. todos nós somos um pouco dave spritz. a gente só disfarça pra não parecer tão looser.

e uma coisa me deixou intrigada: como pode o mesmo diretor - no caso, gore verbinski - dirigir filmes tão diferentes como o sol de cada manhã e piratas do caribe? é, acho que isso é hollywood. agora uma coisa é certa: ele é muito melhor no primeiro.

travessuras da menina má e ronda

August 13, 2007

tudo bem que o blog é de cinema, mas não posso deixar de comentar. ontem terminei de ler travessuras da menina má, do mario vargas llosa. o livro é muito, muito bom. a história é perfeita para um filme, e fiquei imaginando todas aquelas cenas de encontros e desencontros entre um homem e uma mulher no cinema. é uma grande história de amor, sem as pieguices que normalmente são associadas a histórias do tipo. não tenho notícias de que a obra vá ser adaptada para a telona, mas gostaria muito de que isso acontecesse. não deixo como sugestão porque o blog não tem audiência pra isso, mas vocês, queridos três leitores, deveriam ler esse livro. tenho certeza de que gostariam.

* * *

conan, o barbáro pode ganhar nova seqüência em hollywood

rush hour 3 supera bilheteria de bourne nos eua 

diretor de a hora do rush fala sobre novo filme 

walmor chagas e ingra liberato vivem romance em drama

 

sem molho

August 9, 2007

 

A comédia O Ex-Namorado da Minha Mulher tem seus momentos, mas no geral, não vale a pena pagar para ver. Na totalidade das vezes, estes momentos são devidos a Zach Braff e a um pequeno comedor de hambúrgueres.

A trama é a seguinte: Braff e Amanda Peet vão ter o primeiro bebê e, por motivo de emprego, se mudam para a cidade natal dela. No novo trabalho, Braff encontra um ex de sua mulher, o qual desde pequeno anda em uma cadeira de rodas e vai atormentá-lo. E daí segue.

Até que o filme começa bem, como quase todos os filmes ruins. Mas depois de, entre outras coisas, a gente lembrar que a Peet, apesar de linda, é, tipo assim, meio sem sal, segue uma seqüência de cenas clichês, supostamente muito engraçadas, porque o protagonista só se dá mal (é um azarado, haha!), mas altamente constrangedoras para o espectador.

O filme se assume como politicamente incorreto, o que não é de todo mau, apesar de ser mais um cliché para a gente agüentar, entre tantos outros. Pensando bem, o filme parece um libelo contra o tratamento exageradamente bondoso concedido aos deficientes. Mas, tá, não quero falar sobre isso, até porque provavelmente não o é.

Carismático e provavelmente o melhor ator em cena, vale destacar Wesley (Lucian Maisel), o gurizinho que come um hambúrguer inteiro, sem mastigar. Ele faz o truque diversas vezes no filme. Fico pensando, será que isso não faz mal, hein?

Sem comentar o final. Tudo se resolve absurdamente em cerca de cinco minutos (na verdade, é tudo meio absurdo. Eu já comentei que tem um guri que engole hambúrgueres inteiros, sem mastigar?), o malfadado protagonista falando com o sogro, duas palavrinhas e tudo certo!, o mesmo com a sua mulher. Médio para ruim, ou seja, não veja. 

até,
Fernando

ronda

August 6, 2007

- o ultimato bourne arrecada US$ 70 milhões em estréia nos eua.

- eddie murphy reconhece paternidade após queixa de spice.

- matt damon é o ator mais rentável de hollywood.

- há 45 anos, morria o ícone marilyn monroe.

- matt damon vale mais que tom cruise.

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ganhei ingressos para o ex-namorado da minha mulher. irei hoje. alguém sabe se vale a pena?

estréias da semana

August 4, 2007

Um pouquinho atrasado, mas estamos aí:

A Vida Secreta das Palavras - Na verdade, pelo que eu entendi, não é uma estréia propriamente dita, está é entrando em cartaz atrasado aqui em Porto Alegre. Esse filme é sobre uma mulher surda que cuida de um homem cego. Como se pode perceber, são 115 minutos de pura adrenalina. Tem o Tim Robbins, o que me agrada, e é dirigido por uma moça meio abobadinha, chamada Isabel Coixtet. Ela tem bottom descolados, vejam só que massa. Avaliação: talvez veja.

A Volta do Todo-Poderoso - O primeiro, com Jim Carrey, é péssimo. Agora colocaram O Virgem de 40 Anos para fazer o protagonista, que, no primeiro, é o rival de Carrey na história. Achei uma boa saída, se o caso era suprir a ausência de Carrey (que certamente não quis se meter em fria desta vez) - Carrel é legal e dá um tom menos pretensioso ao filme - pelo menos a quem não assistiu. A trama parece que envolve a construção de uma arca. Avaliação: Não verei, mas já digo que é melhor que o outro.

Duro de Matar 4.0 - O melhor disparado, apesar de ter gente que se APAVORA como um cachorro quando ouve um tiro (confira a resenha da chefa). Bruce Willis é um dos que melhor consegue reunir ação e diversão em seus filmes. A minha teoria é que ele é na verdade COMEDIANTE. Só pode ser. O filme tem o molde clássico dos filmes de ação, nada de novo, mas é bem feito: começa com tiro e, quando acabam as balas, acaba o filme também - há um momento que McClane/Bruce fica sem balas, então ele derruba um helicóptero com uma VIATURA DE POLÍCIA. Isso que é ser herói - tem que usar os miolos, entende? Avaliação: Já vi.

até,
Fernando 

duro de matar 4.0

August 2, 2007

tudo bem que duro de matar 4.0 atinge o seu objetivo, que é o entretenimento e blablabla. mas não consigo gostar de um filme que começa com um tiroteio, termina com outro e me deixou durante duas horas com cara de apavorada.

o bruce willis faz  seu melhor papel: o tira durão que faz piadas entre um golpe e outro. e esse é o grande trunfo do filme. o resto é só o resto: um tiro aqui, um chute ali e uma série de cenas que fogem completamente do possível e, até mesmo, do imaginável.

 

não vi os outros filmes da série, nem sei que desculpa tinham para existir, mas o enredo dessa vez é típico do pós-11 de setembro: terrorismo, terrorismo, terrorismo. mas com um tom politicamente correto, é importante dizer. o cara do fbi tem feições de um árabe, enquanto o verdadeiro terrorista é um típico ocidental, de terno italiano e clareamento nos dentes.

enfim, vale pelo bruce willis. e, pra quem gosta de AÇÃO, pelas longas cenas de violência e perseguição.